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Estudantes do Curso de Bacharelado em Desenvolvimento Rural do INEAF/UFPA visitam comunidade ribeirinha em aula de campo em Abaetetuba/PA

  • Publicado: Quinta, 29 de Novembro de 2018, 17h21
  • Última atualização em Quinta, 29 de Novembro de 2018, 17h21
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Nos dias 22 e 23 de novembro de 2018, os estudantes do Curso de Bacharelado em Desenvolvimento Rural, da Faculdade de Desenvolvimento Rural, do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares/UFPA, realizaram atividades de campo na cidade de Abaetetuba, na região Tocantina do Pará. Sob a coordenação dos professores Myriam Oliveira e Flávio Barros, os estudantes puderam colocar em prática conceitos e teorias estudados em sala de aula no contexto da disciplina “Relações Sociedade-Natureza”. Inicialmente, a turma visitou o mercado do peixe e a feira local, conhecida como “Beira”. Nestes espaços, puderam conhecer a biodiversidade útil na alimentação e na vida dos abaetetubenses, com destaque ao pescado, produtos do extrativismo e da agricultura familiar. Foi possível observar a relação entre campo e cidade, contextos que são interligados pelo rio Maratauíra, afluente importante do rio Tocantins. No ambiente da feira, os graduandos observaram relações de gênero e trabalho, formas de apropriação da natureza, comidas típicas locais como o famoso e prestigiado “mingau de miriti”, aclamado como iguaria entre as pessoas. Artesanatos e utensílios como o matapi, o tipiti e o paneiro, tão essenciais na vida do homem amazônico, também foram registrados pelo grupo.

 

Foto: Nádia Aline Fernandes

Em seguida, a turma atravessou o rio rumo à comunidade ribeirinha Santa Maria de Sirituba, que fica na Ilha Sirituba. Neste ambiente realizamos entrevistas com as famílias ribeirinhas, observações da paisagem de várzea, roda de conversa com lideranças comunitárias e uma oficina sobre preparação de mingau de miriti. Neste segundo momento da vivência, a turma pôde observar o modo de vida ribeirinha na várzea amazônica, com destaque aos aspectos da casa, da floresta dominada por espécies de palmeira úteis, como o miriti (Mauritia flexuosa) e açaí (Euterpe oleracea), que geram renda e comida para as famílias agroextrativistas. Na roda de conversa houve troca de saberes acadêmicos e tradicionais, com destaque às práticas de pesca, caça e seres sobrenaturais que povoam os rios e matas da região. Teorias como a da antropologia simétrica e do perspectivismo ameríndio, que os estudantes viram em sala de aula, puderam ser problematizadas durante a atividade, a partir dos saberes locais que se constroem na relação entre natureza e cultura. Foi importante ainda perceber como se delineia a identidade ribeirinha a partir dos arquétipos nativos: quais relações sociais; quais interações com a floresta, o rio e a cidade;  quais religiosidades; quais modos de produção; quais cosmologias.

 

Foto: Nádia Aline Fernandes

 

Por fim, no retorno à cidade, ainda no dia 23/11/18, houve a oportunidade de visita ao atelier da artesã de brinquedos de miriti, Dona Pacheco, que nos brindou com uma aula sobre respeito à diferença. Presenteou-nos com sua história de vida, marcada pela luta e pela relação intrínseca com o miriti que, pelas suas mãos habilidosas e mente criativa, transforma-se em dançarinos, cobras grandes, botos, passarinhos, móbiles, dentre outros símbolos da cultura amazônica daquele lugar. A experiência que permite o mergulho dos estudantes na realidade da vida em situação se configura como uma ferramenta pedagógica crucial no processo formativo dos bacharelandos, chancelando o encontro entre a teoria e a prática.  

 

Foto: Nádia Aline Fernandes

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